Babesiose Canina

em quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Uma das preocupações quanto ao deixar o seu cão solto em campos, bosques, parques ou até mesmo na rua é sobre a possibilidade dele ser mordido a parasitado por um carrapato - muitas vezes esses parasitos passam de forma despercebida pelo tutor do animal, quando esse não checa o seu pelo com frequência. O carrapato é um aracnídeo que se alimenta de sangue e está presente na natureza, mas pior que isso ainda serve de vetor para um outro parasito ainda mais perigoso à saúde dos cães: conheça a babeisose canina.

Os protozoários do gênero Babesia, ou hematozoários, são transmitidos para o cão - seu hospedeiro definitivo, através do processo de repasto sanguíneo feito uma vez que ele é mordido por carrapatos do gênero Rhipicephalus. Uma vez inoculado na corrente sanguínea esse protozoário pode se reproduzir ilimitadamente de forma assexuada dentro das células sanguíneas até que essas sejam rompidas.  A hemólise provocada pela multiplicação parasitária configura o eixo central da patogenia da doença ocasionando anemia, congestão hepática, sobrecarga do fígado e consequente icterícia. Esse quadro leva o animal a uma hepato-esplenomegalia: uma hipertrofia do fígado e do baço para compensar  a incapacidade dos órgãos por vzes sobrecarregados.

O cão infectado pode apresentar na forma aguda da doença: anorexia, febre, hemoglobinúria, anemia branda e grave icterícia, a evolução da doença pode levar a morte ou uma lenta recuperação que tende  a levar cerca de um mês ou mais. O diagnóstico dessa doença é feito através da análise dos sinais clínicos e do histórico do animal. Caso esse animal viva em um sítio ou tenha o hábito de escapar para a rua, por exemplo, possivelmente terá contato com os vetores da babesiose. Para confirmação deve ser solicitada a coleta sanguínea e uma análise de esfregaço sanguíneo, na análise microscópica do esfregaço é possível observar os parasitos dentro das células sanguíneas. Através de métodos moleculares como ELISA e imunofluorescência indireta a babesiose pode ser diagnosticada em casos subclínicos ou crônicos, onde há uma baixa parasitemia.

Uma vez que o animal infectado volta a ser espoliado por carrapatos é perpetuado o ciclo reprodutivo das babésias - os carrapatos voltam a ingerir a forma imatura do protozoário - os gamontes - que no intestino do carrapato se diferenciam e se reproduzem sezuadamente gerando um zigoto que possui motilidade, o oocineto, capaz de se reproduzir binariamente gerando os esporocinetos, esses últimos podem migrar para as glândulas salivares do carrapato e transmitir a forma infectante da babesia: os esporozoítos. 

A forma mais eficaz de se prevenir a babesiose é através da prevenção da exposição do animal a uma alta carga parasitária - verificando-se frequentemente seus pelos para conferir se não há presença de carrapatos assim como monitoramento ativo do ambiente que o animal vive, a manutenção da saúde do animal com boa alimentação e higiene também proporciona uma modulação positiva da sua imunidade. As drogas mais utilizadas no tratamento das babesioses são o dipropionato de imidocarb e os derivados das diamidinas com doses ajustadas para o peso e quadro clínico. O dipropionato de imidocarb causa a eliminação completa do agente do organismo animal.



Referências bibliográficas:

DIAS V, FERREIRA F Babesiose canina: Revisão. Publicações em Medicina Veterinária  

e Zootecnia v.10, n.12, p.886-888, Dez., 2016

Gonzalez, MONTEIRO, S. Parasitologia na Medicina Veterinária, 2ª edição.  

Grupo GEN, 2017. 

CORREA et al BABESIOSE CANINA: RELATO DE CASO. REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA PERIODICIDADE SEMESTRAL – EDIÇÃO NÚMERO 4 – JANEIRO DE 2005

Estrongilídeos: quem são eles afinal de contas?

em quinta-feira, 7 de outubro de 2021

É comum fazer uma grande confusão com os nomes desses indivíduos da classe nematoda - os nossos estimados vermes cilíndricos. Quanto mais perto se chega, mais se nota a sua diversidade, mas afinal de contas, por que tantos nomes tão semelhantes? Eles são ou não são a mesma coisa?  Bem, por um lado pode se considerar que sim, dependendo do degrau da escada taxonômica no qual você está pisando. Os próprios autores da literatura parasitológica admitem tal complexidade e as dificuldades que essa nomenclatura pode trazer:

 “Certas categorias têm sufixos característicos que ajudam a identificá-los. Por exemplo, o gênero Strongylus pertence à seguinte hierarquia de táxons superiores: subfamília Strongylinae, família Strongylidae, superfamília Strongyloidea, ordem Strongylida. Neste texto, os sufixos -inae, -idae, -oidea e -ida são aplicados a todos os nomes de subfamília, família, superfamília e ordem. Os principais objetivos da nomenclatura zoológica são promover a estabilidade e universalidade dos nomes zoológicos e garantir que cada nome seja único e distinto. Nem todo taxonomista se esforça para mudar os nomes para confundir os outros, como os alunos tendem a suspeitar.” (Bowman, 2013).


Figura 1. "Strongylus vulgaris disfarçado" (Foto na capsula bucal de um verme adulto) 


A Ordem Strongylida

A ordem é o nível taxonômico que agrupa famílias que compartilham entre si uma grande semelhança biológica, essa ordem é composta por quatro famílias principais e dentre essas está  a superfamília Strongyloidea

Nessa ordem podem ser citadas características prevalentes quanto 

  • aos ovos - de casca fina e morulados, isto é, com uma massa embrionária de células em seu interior;

  • a morfologia do verme adulto - cápsula bucal bem desenvolvida com coroas lamelares, presença de bolsa copuladora e espículos nos machos, e extremidade caudal afilada no corpo das fêmeas.

Trichostrongyloidea; Ancylostomatoidea, Metastrongyloidea, são as demais superfamílias que compõem a ordem Strongylida.


A superfamília Strongyloidea

Muito diversificado, esse táxon sumariza características comuns a uma gama maior ainda de vermes no sentido de os dar uma atribuição comum com base em algumas de suas características morfológicas e padrão no seu ciclo de infecção, tal diversidade inclui vermes conhecidos por parasitar não só o intestino de cavalos mas de outros mamíferos, como suínos e ruminantes, onde provocam lesões nodulares e podem estar presentes também o trato respiratório de aves. 

Essa classificação, porém, não inclui os trichostrongylus - apesar de essa ser uma superfamília que acomete o trato digestivo de ruminantes cuja está dentro da ordem Strongylida.



Figura 2. Larva de Strongylus vulgaris

Strongylidae (Família)

Composta por espécies que infectam o intestino grosso de cavalos, vermes nodulares de suínos, ruminantes e primatas, a  família strongylidae soma características morfológicas de um grupo maior de vermes, possuindo vermes menores conhecidos como pequenos estrôngilos (Cyathostominae). Todos os gêneros de importância veterinária que habitam o intestino podem ser divididos em dois grupos, estrôngilos e ancilóstomos.



Strongylus (gênero)

Se tratando do gênero, esse engloba outras espécies de estrongilos que, apesar de muito semelhantes, apresentam sutis diferenças morfológicas como tamanho e formato dos dentes e também diferenças no seu padrão migração pelo hospedeiro, o Strongylus edentatus por exemplo tem uma predileção pelo fígado, para onde migra no seu estágio larval e causa degeneração. 


Strongylus vulgaris (espécie)

Essa é uma espécie de vermes que tem grande relevância à medicina veterinária pois ocasiona o adoecimento em cavalos, provocando a perda da sua condição física, anemia, cólicas, debilidade dos movimentos do intestino e até mesmo a morte em alguns casos. 


São vermes pequenos cujos ovos se desenvolvem no solo até o estágio de larva em condições ambientais favoráveis de temperatura e umidade, o hospedeiro definitivo se alimenta da pastagem contaminada com a larva madura, no seu estágio infectante, conhecido como L3 (terceiro estágio larval),e,  uma vez no intestino grosso do animal essas larvas penetram sua mucosa, atingem a circulação e migram para a artéria mesentérica cranial, local de predileção desses parasitos para o desenvolvimento larval, onde vão causar lesões inflamatórias e  tromboembolias, o que resulta em cólicas e isquemia na região a ser irrigada pelos ramos dessa artéria.

Figura 3. Larvas de Strongylus vulgaris na artéria mesentérica cranial.         


Mas não acaba por aí. As larvas, depois de se desenvolverem na artéria intestinal, migram de volta para o intestino grosso e formam nódulos na sua parede e esses nódulos permanecem até o desenvolvimento adulto dos vermes, quando finalmente  é rompido, liberando a carga parasitária de vermes adultos (jovens adultos) na luz do órgão onde então vão se diferenciar sexualmente, se reproduzir, liberar os ovos e vão também se alimentar, o órgão bucal bem desenvolvido dessa família os habilita a se alimentarem da mucosa do hospedeiro. Os ovos são eliminados nas fezes e voltam a contaminar o ambiente perpetuando esse ciclo.


Tricostrongilídeos (Superfamília Trichostrongyloidea)

Os tricostrongilídeos causam patologia grave, com mortalidade considerável e alta morbidade, principalmente em ruminantes. Bezerros são mais suscetíveis, ao passo que animais adultos adquirem imunidade considerável. Também são vermes redondos da ordem Strongylida, são pequenos, quase invisíveis a olho nú, de coloração vermelho-acastanhada clara. Quando a infecção é elevada, podem alterar o pH do abomaso e/ou do intestino delgado e, como consequência, haverá aumento do crescimento bacteriano, promovendo diarreia, que pode ser negra e fétida em casos mais graves.


Figura 4. Vermes Trichostrongylus adultos


Istrongiloides (Família Strongyloididae)

Vermes que parasitam o intestino delgado de várias espécies inclusive a humana porém que pertencem a outra ordem que não é a Strongylida - a ordem Rhabditida. É interessante mencionar que esse parasito pode fazer um ciclo homogônico onde uma vez que os ovos são liberados no ambiente as larvas desenvolvem até o estado de L3 e penetram a pele dos animais. As formas adultas que estão no intestino promovem a erosão das vilosidades intestinais, provocando infecção e levando à enterite catarral, que apresenta muito muco.


Figura 5


Referências Bibliográficas:


BOWMAN, Dwight D. Georgis Parasitologia veterinária. 9. ed. Rio de. Janeiro: Saunders Elsevier, 2010.

L., TAYLOR, M. A.; COOP, R. L.; WALL, R. Parasitologia Veterinária, 4ª edição. Grupo GEN, 2017.

Gonzalez, MONTEIRO, S. Parasitologia na Medicina Veterinária, 2ª edição. Grupo GEN, 2017.


Figuras:

Figura 1: Imagem produzida pelo autor

Figura 2: Imagem retirada da web disponível no endereço: https://www.vetlexicon.com/treat/equis/illustration/strongylus-vulgaris-larvae

Figura 3: Imagem retirada do livro texto A., T. M., L., C. R., & L., W. R. (2017). Parasitologia Veterinária, 4ª edição.

Figura 4: Imagem retirada do livro texto A., T. M., L., C. R., & L., W. R. (2017). Parasitologia Veterinária, 4ª edição.

Figura 5: Imagem produzida pelo autor




Doenças císticas provocadas por cestódeos

em quinta-feira, 2 de setembro de 2021

                    Se você acessou alguma literatura parasitológica e visitou capítulos referentes a classe Cestoda provavelmente se deparou com uma densa introdução as formas larvais desses vermes. Não é difícil se confundir quando o assunto são os metacestóides. (Larvas de vermes cestoideos encontradas em hospedeiros intermediários) e sabendo disso, o título desse acesso pode ser abreviado a: Doenças provocadas por metacestódeos.


Figura 1. Estrutura representativa de uma tênia, com base na Taenia solium

  

Figura 2. Estágios larvários de cestódeos ciclofilidianos.



                    Os parasitos denominados cestódeos são aqueles vermes segmentados que pertencem ao filo dos Platelmintos. Eles parasitam o trato intestinal de uma grande diversidade de vertebrados fazendo com que algumas famílias sejam de grande interesse veterinário, pois podem provocar doenças degenerativas e prejuízos à produção animal. Uma boa parte desses prejuízos se dá, pela  condenação de vísceras nos abatedouros-frigoríficos, provocadas pelas larvas desses parasitos que podem ser consideradas até mais patogênicas do que o próprio verme adulto. O parasitismo pelas formas adultas  se apresenta, muitas das vezes, de forma assintomática no hospedeiro definitivo, já que seus hábitos alimentares ocorrem de forma pouco invasiva, através da  absorção dos nutrientes presentes no meio pelo seu tegumento.

Figura 3. Cistos hidáticos no fígado de um cavalo 


                    Quando o ovo é ingerido através de um hospedeiro intermediário, as secreções gástricas e intestinais digerem o embrióforo e ativam a oncosfera. Utilizando seus ganchos, a tênia rompe a mucosa e alcança a corrente sanguínea ou linfática ou, no caso de invertebrados, a cavidade corporal. Uma vez em seu local predileto, a oncosfera perde seus ganchos e se desenvolve, dependendo da espécie, em um dos seguintes estágios larvários, frequentemente denominados metacestódeos, são eles os cisticercos, estrobilocercos, cenuros, hidátides, cisticercóides, etc.

Figura 4. Ciclo evolutivo de Taenia solium e T. saginata.



Figura 5. Cisticercose viva cardíaca em bovino.

Cisticercose: O cisticerco é uma vesícula pequena, semi translúcida, típico estágio de L2 (segundo estágio larval) de espécies da família Taeniidae que tem, no interior, um único protoescólex, (estrutura germinativa que dará origem ao escólice do cestódeo) podendo ou não apresentar rostelo e acúleos. A larva migra pelo tecido hepático podendo provocar hepatites traumáticas (T. hydatigena em bovinos, ovinos e suínos) e se encista em tecidos diversos como musculatura estriada e coração (T. saginata em bovinos), fígado, cavidade peritoneal. Em seres humanos os cisticercos de T. solium representam um risco significante à saúde humana podendo se instalar em órgãos como olhos, cérebro e medula espinhal.



Figura 6. Um coenurus de Taenia serialis da região
 axilar subcutânea de uma chinchila
Cenurose: O cenuro é um cisto grande semelhante a cisticerco, mas com vários escólices invaginados aderidos à parede do cisto. T. multiceps é um tenídeo canino com estágio larval em forma de cenuro que invade a cavidade craniana de ovinos, caprinos e, às vezes, dos bovinos. Conforme o cisto cresce, sinais neurológicos decorrentes da progressiva ocupação de espaço desenvolvem-se lentamente. Pode haver cegueira, incoordenação, andar em círculos, ato de pressionar a cabeça contra as paredes, bater em árvores e outros similares. Por fim, o animal fica prostrado e morre.





.Figura 7. Cisto hidático de Equinococcus granulosus 
Hidatidose: A hidátide é um cisto grande e complexo, preenchido por líquido, revestido internamente por epitélio germinativo a partir do qual são originados escólices invaginados, livres ou em feixes sendo que no interior do cisto ainda podem-se desenvolver vesículas filhas interna e externamente, tipicamente é provocada pelo encistamento da larva de tenídeos do gênero Echinococcus cujos hospedeiros definitivos são canídeos raposas e felinos. os efeitos patogênicos dos cistos hidáticos incluem pressão atrófica nos órgãos circundantes e reações alérgicas ao fluido hidático que vaza. A ruptura de um cisto hidático fértil pode espalhar pedaços de membrana germinativa, escólices e cápsulas germinativas pela cavidade pleural ou peritoneal, resultando em hidatidose múltipla em órgãos como fígado e pulmão e podendo ainda ser infiltrativo.



Hidatidose unilocular: Provocada pela larva de E. granulosus, pode acometer animais de produção como ovinos e bovinos. Uma hidátide fértil infectando um homem pode crescer muito e interferir na função de órgãos vizinhos pela pressão que exerce contra eles. A Hidatidose humana pode ser adquirida pela ingestão de ovos de espécies de Echinococcus por meio da contaminação do ambiente por fezes de um canídeo parasitado pela forma adulta do verme. 

● Hidatidose alveolar: A hidatidose alveolar se prova invariavelmente fatal em poucos anos, é caracterizada por brotamentos exógenos que proliferam continuamente e se infiltram cercando o tecido. O cisto hidático alveolar, produzido pela espécie E. multilocularis, desenvolve-se no fígado de camundongos silvestres e em humanos produzem uma alteração semelhante a uma neoplasia maligna pelo seu caráter infiltrativo. 

 

Figura 8. Representação de um Equinococcus granulosus adulto.

Referências bibliográficas: 

BOWMAN, Dwight D. Georgis Parasitologia veterinária. 9. ed. Rio de. Janeiro: Saunders Elsevier, 2010. 

L., TAYLOR, M. A.; COOP, R. L.; WALL, R. Parasitologia Veterinária, 4ª edição. Grupo GEN, 2017. 

Gonzalez, MONTEIRO, S. Parasitologia na Medicina Veterinária, 2ª edição. Grupo GEN, 2017.


Figuras:

1. Imagem da web disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/multimedia/figure/inf-tapeworm-cestodes_pt

2. Imagem do livro texto: L., TAYLOR, M. A.; COOP, R. L.; WALL, R. Parasitologia Veterinária, 4ª edição. Grupo GEN, 2017.

3. Imagem do livro texto: BOWMAN, Dwight D. Georgis Parasitologia veterinária. 9. ed. Rio de. Janeiro: Saunders Elsevier, 2010. 

4. Imagem do livro texto: Gonzalez, MONTEIRO, S. Parasitologia na Medicina Veterinária, 2ª edição. Grupo GEN, 2017.

5. Imagem do livro texto: Gonzalez, MONTEIRO, S. Parasitologia na Medicina Veterinária, 2ª edição. Grupo GEN, 2017.

6. Imagem do livro texto: BOWMAN, Dwight D. Georgis Parasitologia veterinária. 9. ed. Rio de. Janeiro: Saunders Elsevier, 2010. 

7. Imagem do livro texto: BOWMAN, Dwight D. Georgis Parasitologia veterinária. 9. ed. Rio de. Janeiro: Saunders Elsevier, 2010. 

8. Imagem da web disponível em: https://www.preparaenem.com/biologia/hidatidose.htm


UM FILME QUE VAI DERRETER SEUS MIOLOS MAIS QUE CISTICERCOSE

em quinta-feira, 5 de agosto de 2021

O filme "PARASITA" narra a historia de duas famílias sul-coreanas e faz uma espetacular alusão ao parasitismo ecológico usando relações humanas e sociedade. O filme além de ter se tornado fenômeno mundial foi vencedor da categoria principal da premiação da academia estadunidense de cinema, o Oscar de "Best Picture" (melhor filme de longa metragem) no ano de 2020. Drama! Sem mais "spoilers", se você já viu esse filme comente o que achou e caso não tenha assistido - ASSISTA IMEDIATAMENTE!!!

Bem vind@ ao Parasito-Blogando!!

em segunda-feira, 2 de agosto de 2021


Seja bem vindo a um portal de ensino de parasitologia - essa é uma página na web que tem propósito de auxiliar seu processo de aprendizagem e servir como uma ferramenta extra para a construção conhecimento.


É sabido, por nós estudantes, que pode ser muito difícil pôr um pé dentro de um assunto novo, ainda mais a parasitologia que é tão diversa. É mole? 


A parasitologia veterinária conta com uma grande diversidade zoológica, que por sua vez vem acompanhada de uma complicadíssima nomenclatura, além dos seus respectivos ciclos biológicos, fisiopatologias e epidemiologias - mas calma não revire os olhos ainda! Pouco a pouco é possível construir o conhecimento médico de forma mais descomplicada.


A proposta do blog surge como uma argumentação sobre o ensino de ciências - "Será que temos ferramentas suficientes para transmitir o conhecimento da parasitologia? A metodologia tradicional de ensino consegue cumprir o papel de transmitir o conhecimento?"


O processo de ensino-aprendizagem precisa ser melhorado e adaptado às ferramentas contemporâneas e ferramentas tecnológicas - como essa daqui que você está acessando. Aqui você pode encontrar uma riqueza de referências da literatura com uma linguagem facilitada, bem ilustrada além de ser interativa.


Deixe seus dúvidas ,comentários e sugestões nas postagens e acompanhe o "parasito-blogando" enquanto constrói conhecimento.



Figura 1. Ilustração do hemoparsito Trypanossoma chagasi - causador da leishmaniose visceral canina.




Ganhei uma lagartixa do meu gato

em domingo, 18 de outubro de 2020

Confira o vídeo e descubra!


 



Bibliografia 

PAULA, Carolina. Platinosomíase em felinos domésticos: um diferencial para obstrução biliar. Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação apresentado à Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus de Botucatu, SP, para obtenção do grau de Médico Veterinário.2010. Disponivel em : https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/120431/paula_cl_tcc_botfmvz.pdf?sequen

FONDANA, Luca et al. Relato Do Primeiro Diagnóstico Parasitológico De Platynosomum, Looss (1907) Em Felino No Estado De Santa Catarina. Amostra cientifica e tecnológica - campus de Araquari, [s. l.], 8 out. 2015. Disponível em : http://eventos.ifc.edu.br/mctepex/wp-content/uploads/sites/13/2016/03/RELATO-DO-PRIMEIRO-DIAGN%C3%93STICO-PARASITOL%C3%93GICO-DE-Platynosomum-LOOSS-1907-EM-FELINO-NO-ESTADO-DE-SANTA-CATARINA.pdf

LEANDRO, Cleyjefferson do Nascimento. PLATINOSSOMOSE FELINA: ASPECTOS ETIOLÓGICOS, FISIOPATOLÓGICOS, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO. 2018. Monografia (Grduação em Medicina Veterinária) - Universidade Federal De Campina Grande Centro De Saúde e Tecnologia Rural Campus De Patos-PB, [S. l.], 2018. Disponível em: http://www.cstrold.sti.ufcg.edu.br/grad_med_vet/tcc_2017.2/19_cleyjefferson_do_nascimento.pdf. Acesso em: 18 out. 2020

Figura 2. Ciclo de vida do P. fastosum. Disponível em: http://www.cstrold.sti.ufcg.edu.br/grad_med_vet/tcc_2017.2/19_cleyjefferson_do_nascimento.pdf

 Fuguras

Figura 1. Platynosomum fastosum. Disponível em: https://www.veterinaryparasitology.com/platynosomum.html

Figura 2. Ciclo de vida do P. fastosum. Disponível em: http://www.cstrold.sti.ufcg.edu.br/grad_med_vet/tcc_2017.2/19_cleyjefferson_do_nascimento.pdf



 

Platinossomose

  Platinossomíase, conhecida popularmente como envenenamento da lagartixa.

 

  A platinossomíase ((PAULA, 2010) ou platinossomose felina (LEANDRO,2018) é uma parasitose de distribuição mundial, entretanto é mais comum em áreas de clima tropical e subtropical. Vários países já relataram a doença, entre eles Malásia, Papua Nova Guiné, Austrália, Havaí, Bahamas, Porto Rico, Brasil, Cuba, Guiana Britânica e Flórida. No Brasil, a parasitose foi relatada em Pernambuco, São Paulo e Mato Grosso do sul, além disso, existem estudos de prevalência em dois estados, Minas Gerais, com prevalência de 40% e Rio de janeiro, com prevalência de 37%. 

Agente Etiológico

O agente etiológico é o Platynosomum spp, que são trematodas, pertencentes a família Dicrocoeliidae. Não há consenso sobre a espécie do gênero Platynosomum que parasita gatos. Tanto o Platynosomum fastosum, quanto o Platynosomum illiciens e Platynosomum concinnum já foram descritos na literatura como parasitas das vias biliares de gatos domésticos. Por isso todas essas espécies podem ser consideradas sinônimo (PAULA, 2010).

Morfologicamente, são parasitos ovóides ou elipsóides e achatados, chegando a no máximo 6,8 mm de comprimento. Seus ovos são marrons, com casca espessa, simétricos e operculados, medindo de  34 a 50 µm de tamanho.


Figura 1. Platynosomum fastosum

 Ciclo de vida

Para falar sobre o ciclo de vida utilizaremos o Platynosomum fastosum como modelo. Precisa-se de três hospedeiros intermediários: um caracol da terra (Subulina octona), um isópode terrestre (besouros ou percevejos) e por fim lagartixas ou sapos (SILVA et all, 2008). Além disso, alguns hospedeiros erráticos como pássaros insetívoros podem eventualmente participar do ciclo. É importante ressaltar que dependendo a espécie de Platynosomum são necessários dois hospedeiros intermediários, sendo um caramujo aquático e um isópode terrestre.( FONDANA. et all, 2015.). Os Hospedeiros definitivos são felinos domésticos ou selvagens.

Os felinos adquirem o parasito após caçarem e ingerirem lagartixas ou lagartos contendo metacercárias encistadas. Então o parasito adulto libera ovos nas vias biliares, então esses ovos operculados são levados junto com a bile para o intestino delgado e logo depois são eliminados para o ambiente junto com as fezes. No ambiente os ovos são ingeridos pelo primeiro hospedeiro intermediário (caramujo), e o miracídio sai pelo opérculo do ovo e penetra no tecido do caracol. Então o miracídio sofre uma maturação que dura aproximadamente 28 dias, tornando-se um esporocisto mãe. Esse esporocisto mãe dão origem a vários esporocistos filhos migratórios, com cercárias em seu interior.

Os esporocistos filhos saem do caracol, e vão para o solo, nessa etapa elas são ingeridos pelo isópodos terrestres onde as cercárias se tornam metacercárias. Por fim as lagartixas ingerem esses isópodos, e as metacercárias permanecem encistadas, na vesícula biliar e ducto biliar desses animais. Esses animais são caçados e ingeridos por felinos, que já tem esse instinto de caça, nesses animais as metacercárias migram e chegam a maturidade sexual em quatro ou cinco semanas. E o ciclo se repete.


Figura 2. Ciclo de vida do P. fastosum.


Patogênese 

 Na Platinossomíase, a gravidade da patologia depende do tempo de infecção e quantidade de parasitos adultos presentes do felino. Os parásitos habitam o fígado, ductos biliares e vesícula biliar dos hospedeiros definitivos.

As lesões nestes órgão são causadas durante a migração das metacercárias, principalmente no fígado essa migração causa  necrose hepática, nos ductos biliares elas podem causar obstrução hiperplasia dos ductos e fibrose construtiva decorrente dos processos inflamatórios causados.

A presença do parasito no trato biliar ainda pode favorecer infecções bacterianas secundárias, que causam colangite e abcessos hepáticos, e ainda podem aumentar o risco de colangiocarcinoma.

Os sinais clínicos podem aparecer ou não dependendo da carga parasitária, assim como podem ser inespecíficos, como a anorexia, letargia, e emagrecimento. A icterícia é um sinal importante que pode ser observado em animais com obstrução biliar.

 Diagnóstico

O diagnóstico de platinossomíase é realizado primeiramente baseado no histórico do animal e nas manifestações clínicas. É importante durante a anamnese questionar ao tutor sobre os hábitos do gato, principalmente se ele caça o hospedeiro intermediário. O diagnóstico definitivo é realizado com a visualização dos ovos operculados nas fezes, isso se os parasitos não estiverem obstruindo o ducto biliar. Caso ocorra obstrução o diagnóstico definitivo pode ser obtido pela laparotomia, permitindo a biópsia do fígado e a compressão manual para avaliar a obstrução biliar (PAULA, 2010).

Os achados hematológicos (aumento de eosinófilos) e bioquímicos (aumento do ALT e FA) também podem contribuir com o diagnóstico, além disso, a bilirrubina sérica também pode estar aumentada. Exames radiográficos e ultrassonográficos, apesar de serem exames inespecíficos para parasitoses, podem contribuir para a avaliação hepática, no exame radiográfico do animal com Platynosomum fastosum pode ser observado hepatomegalia, mas a hepatomegalia também pode ser observada por palpação. Com a ultrassonografia pode ser observada o espessamento da parede da vesícula biliar e alterações no parênquima hepático

Diagnósticos diferenciais

Deve-se diferenciar a platinossomíase de doenças hepáticas felinas, como lipidose hepática, neoplasias hepáticas e peritonite infecciosa felina, além disso o diagnóstico diferencial deve ser feito para outros parasitos encontrados no ductos biliares dos felinos, que também podem causar colangite, colangio-hepatite e distensão do ducto biliar comum. Então é muito importante associar os achados clínicos com os exames laboratoriais para diferenciar a platinossomíase dessas outras doenças. 

 Tratamento/ Controle/ Profilaxia

 O tratamento vai depender da carga parasitária, e do grau de injúrias que está ocorrendo nos órgãos afetados (fígado e vesícula biliar). O anti-helminto mais utilizado é o Praziquantel, seu mecanismo de ação no parasito não é totalmente elucidado, mas acredita-se que ele tem um efeito sobre o potencial de membrana das células musculares do trematódeo, o que faz com que aumente a entrada de íons de cálcio na células, o que causa a vacuolização e desintegração do tegumento do helminto.

Pode ser necessário utilizar antimicrobianos, por causa de infecções ascendentes que vem do duodeno, causando colangite e colangio-hepatite, a utilização de antioxidantes como o S- adenosilmetionina pode ser benéfico, devido ao seu efeito como protetor hepático. E em casos de obstrução do ducto biliar, uma intervenção cirúrgica chamada colecistoduodenostomia, pode ser necessária, para escoar a bile para o trato gastrintestinal.

Além disso deve-se instituir uma terapia de suporte em gatos, como a alimentação enteral forçada, que previne a lipidose hepática, e também é importante corrigir a hidratação.

Para a prevenção, é necessário evitar que o felino entre em contato com o hospedeiro intermediário, isso é mais fácil para gatos que não tem acesso a rua, ou a quintais. Caso o gato seja restrito a residência, é importante evitar a apresença de lagartixas no local. Além disso é importante administrar medicamentos anti-helmínticos em uma frequência adequada e realizar exames coproparasitológicos periodicamente.

 Bibliografia

PAULA, Carolina. Platinosomíase em felinos domésticos: um diferencial para obstrução biliar. Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação apresentado à Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus de Botucatu, SP, para obtenção do grau de Médico Veterinário.2010. Disponivel em : https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/120431/paula_cl_tcc_botfmvz.pdf?sequen

FONDANA, Luca et al. Relato Do Primeiro Diagnóstico Parasitológico De Platynosomum, Looss (1907) Em Felino No Estado De Santa Catarina. Amostra cientifica e tecnológica - campus de Araquari, [s. l.], 8 out. 2015. Disponível em : http://eventos.ifc.edu.br/mctepex/wp-content/uploads/sites/13/2016/03/RELATO-DO-PRIMEIRO-DIAGN%C3%93STICO-PARASITOL%C3%93GICO-DE-Platynosomum-LOOSS-1907-EM-FELINO-NO-ESTADO-DE-SANTA-CATARINA.pdf

LEANDRO, Cleyjefferson do Nascimento. PLATINOSSOMOSE FELINA: ASPECTOS ETIOLÓGICOS, FISIOPATOLÓGICOS, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO. 2018. Monografia (Grduação em Medicina Veterinária) - Universidade Federal De Campina Grande Centro De Saúde e Tecnologia Rural Campus De Patos-PB, [S. l.], 2018. Disponível em: http://www.cstrold.sti.ufcg.edu.br/grad_med_vet/tcc_2017.2/19_cleyjefferson_do_nascimento.pdf. Acesso em: 18 out. 2020

Figura 1. Platynosomum fastosum. Disponível em: https://www.veterinaryparasitology.com/platynosomum.html

Figura 2. Ciclo de vida do P. fastosum. Disponível em: http://www.cstrold.sti.ufcg.edu.br/grad_med_vet/tcc_2017.2/19_cleyjefferson_do_nascimento.pdf